segunda-feira, 17 de novembro de 2014


Colaborador do CCEC

Prof.ºFilipe Justus foi um dos membros do Centro Cultural Euclides da Cunha(CCEC), fundado pelo Profº Faris S.Michaele em 15/09/1950, foi um dos grandes colaboradores, ao lado de outros membros como :Frederico Waldemar Lange, João Henrique Domingues, Joaquim de Paula Xavier, e outros.Dentro do CCEC também nasce o que viria a ser décadas mais tarde o Museu Campos Gerais, segundo um exemplar de “O Tapejara” de 1951, jornal editado pelo Profº Faris no Centro Cultural, Profº Justus já doava amostras para o “Museu”,  como por exemplo: um animal petrificado(fóssil), fragmento de madeira petrificada, papo de bugio, pote indigena de cerâmica, machado de pedra polida, e 260 insetos.          
             Detalhe coleção na antiga sede do Museu(antigo Fórum)



A segunda Coleção


Comprada pela antiga Faculdade de Filosofia Ciências e Letras, a coleção é composta de 40 gavetas(caixas), sendo 37 delas somente insetos, totalizando 4.261 exemplares, sendo que as ordens mais representativas são Lepidóptera(Borboletas), Coleoptera(Besouros), Hemíptera(percevejo) e outras ordens com menos representantes, as outras 03 caixas contém Aracnídeos(Aranhas, Opiloes, escorpiões), Molusca(Conchas), Crustácea(caranguejos, siris, tatuzinhos de jardim), e miscelânia(ovos, ouriço,baiacu, sementes, fungos, e coisas exóticas como o par de patas de um pequeno macaco e uma unha de tigre.Além dos exemplares coletados na região, Justus fez muito intercâmbio com o exterior, coisa praticamente impossível nos dias de hoje, para um autodidata.
Para coletar hoje existem pré requisitos, como ter formação universitária, um projeto de pesquisa, ter projeto aprovado, permissões de coleta, etc, etc, o velho entomólogo teria destestado viver hoje, não teria chance de realizar o que realizou.



Homenagens entomológicas


O entomólogo Justus descobriu novos insetos em suas coletas, quem visitar sua coleção no Museu Campos Gerais, poderá ver dois deles, seus colegas entomólogos o homenagearam dando seu nome: Naupactus Justus , e Stegostes Justus(ambos coleopteros curculionidae)Besouros.

                Fotos Naupactus e Stegotes justus, em sua coleção(Foto e desenhos Renoaldo Kaczmarech)


Visitas ilustres ao velho entomologista

Prof.ºFilipe Justus foi muito respeitado na comunidade científica exterior e nacional, tanto que recebeu certa vez em sua residência, um dos grandes nomes da entomologia brasileira da época, Costa Lima, que queria conhecê-lo e as suas coleções. Segundo os relatos, Costa Lima perguntou ao Profº Filipe, que autores e bibliografias usava para identificar os insetos, que coletava, qual não foi  sua  surpresa, quando Justus lhe trouxe um dos volumes escrito pelo próprio Costa Lima, e  lhe disse: uso a classificação do ilustre entomologista Costa Lima.


Ângelo Moreira Costa Lima
(1887-1964)


Outro visitante famoso, foi o escritor "Malba Tahán"  que se tornou amigo e admirador do grande entomólogo, ao ponto de se referir a ele em suas obras de divulgação científica.



Júlio César de Melo e Souza(pseudonimo Malba Tahán)
(1895 -1974)


Residência de Felipe Justus Jr. onde ficavam suas coleções e gabinete de trabalho, aqui ele recebeu Costa Lima, e Malba Tahám, dela nada restou, somente esta pintura feita por Leonidas Justus , filho de Felipe Justus Jr.


O professor

Filipe Justus   lecionou  em Santa Catarina, São Paulo(Itararé), e em Ponta Grossa,como já dissemos  apesar de autodidata, também foi um palestrista e conferencista, em vários estabelecimentos de nossa cidade, na antiga Faculdade de Filosofia Ciências e Letras, em em colégios, como o Regente Feijó.
Os interessados e alunos vinham ouvir suas palestras sobre temas como: A Ciência e os insetos,  Darwinismo, e sobre os cientistas criadores destas teorias, e muitos outros  como Cuvier, Wallace.













   FILIPE JUSTUS JR.
    (30/08/1884 - 09/03/1973)

      Filipe Justus trabalhando em sua casa (Foto Renoaldo Kaczmarech)
   (Acervo do Museu Campos Gerais)



Naturalista Nato

O pendor para a ciência desperta cedo para algumas pessoas, é algo comum em muitos cientistas, uma paixão de infância, cultivada durante a adolescência, que se firma com o tempo, e mesmo quando não existem condições de alimentá-la, esta persiste ao longo da vida.



O início da carreira

Nascido em 30/08/1884 na então chamada localidade de Guaraúna(Colônia), no município de Entre Rios(Guaragi), desde tenra idade Felipe Justus Júnior, trabalhou em todas as profissões possíveis numa época em que escassez de trabalho era inimaginável, começou sua vida como lavrador, mais tarde foi comerciante, funcionário público da estrada de ferro Franco-Belga, foi também professor, mas sua paixão era a natureza.

Autodidata da Ciência


Justus foi um autodidata, hoje chamariamos de amador, ou seja uma pessoa que não possui nenhuma formação universitária, aprendeu por si, através de muito esforço e estudo, foi assim com sua paixão os insetos.Como entomologista foi reconhecido internacionalmente por seus colegas na área, a Entomologia.


Detalhe de uma das caixas de Lepidóptera(Foto Renoaldo Kaczmarech)




Poliglota e leitor assíduo

Quem já leu sobre o Centro Cultural Euclides da Cunha, e da pleiáde de intelectuais que pertenceu ao Centro cultural, verá que Felipe Justus foi um dos sócios fundadores juntamente com Prof. Faris Michaele, como Michaele, Felipe falava alemão, um pouco de inglês, e chegou a estudar o esperanto.Era um leitor assíduo da biblioteca do centro cultural, e de seu assunto preferido , os insetos.



Coletar, Coletar, Coletar o que será que os outros vão pensar?


Muitos cientistas famosos, ficaram conhecidos mais por seus hábitos exóticos e comportamento extravagante do que pelas suas descobertas, como o caso de Albert Einstein, Newton, Pasteur, Claude Bernard.

Prof.Filipe não foi muito diferente, viveu felizmente em uma época, onde se podia capturar livremente um inseto sem ser preso, multado, e xingado pelos pseudo-defensores da natureza.Minha mãe Rosa Borek Kaczmarech lembra-se de telo visto várias vezes( sua casa ficava nas proximidades) com sua rede entomológica, correndo pelo meio da rua(o que era possível naquela época)atrás de um novo e precioso espécime para a sua coleção, na realidade em vida, ele fez três grandes coleções, a primeira acabou comprada pelo Padre Jesus Santiago Moure, fundador do curso de Entomologia da UFPR, em Curitiba. A segunda coleção foi comprada pela antiga Faculdade de Filosofia Ciências e Letras(hoje UEPG), estando atualmente no Museu Campos Gerais, e existiu uma terceira, que não se sabe que fim levou. 


Detalhe  aproximado de uma das caixas de Lepidóptera(Borboletas) mostrando a qualidade de montagem dos exemplares, rigorosamente etiquetados com informações como:Local, data, coletor,Nome científico, sexo, etc.
(Foto do Renoaldo Kaczmarech)










INTRODUÇÃO


Ponta-grossense não tem memória, é o que muitos dizem,  em boa parte é verdade, não recebemos educação para isto, valorizar o que passou, a impressão que fica, é que todas as vidas que por aqui passaram e tudo o que construíram, nada significou, fotos, livros, edifícios, praças, acervos particulares, tudo é destruído e descartado como lixo, mas felizmente aparecem pessoas iluminadas que são diferentes da massa apática e desinteressada pelo passado. Tão desligada da realidade, que nem mesmo enxergam o potencial turístico da História local, de tudo o que foi construído do ponto de vista patrimonial.
O velho pensamento "caipira" local, de que progresso é "derrubar o velho", e "construir tudo novo", é realmente pensamento de "jacu".
Felizmente alguns, independentemente de serem  do mundo acadêmico ou não, pensam diferente, tem uma visão, realmente progressista de ver o potêncial turístico-histórico-Cultural, tudo interligado.
A preservação de edifícios, casas, é  apenas uma das formas de preservar o passado.O que dizer então das pessoas?Muitos dos nossos  logradouros públicos, avenidas e ruas que possuem nomes de ilustres pontagrossenses, politícos, médicos, sacerdotes, militares, professores, nomes frequentemente citados, quando alguém de fora da cidade pede informação, onde fica está ou aquela rua, mas se perguntassemos a este solicito pontagrossense que informa o visitante, a rua Francisco Burzio fica para aquele lado, quem foi Francisco Burzio, fatalmente ouviria, "não sei".A situação se torna mais dramática quando falamos dos parcos cientistas que aqui viveram, são total e completamente ignorados, eles existiram, viveram, estudaram, casaram, tiveram filhos, foram embora, publicaram, se tornaram conhecidos fora da cidade.
É destes desconhecidos , para a maioria da população,  que comentarei  um pouco sobre suas vidas ,neste blog, digo pouco, porque foi dificil , encontrar referências sobre eles, que certamente parecem não ter existido, a não ser por escassos artigos em jornais, ou referências a seus  pertences particulares ou  relativos aos seus trabalhos sobreviventes, sobre suas bibliotecas, coleções,   em Ponta Grossa e fora dela, e pela memória dos que conviveram com eles, parentes  e amigos próximos geralmente.
São eles o Profº Felipe Justus,  nosso grande entomólogo, e o prestigiado geólogo e paleontólogo Frederico Waldemar Lange.